poemas


pedra Elisa




teu apego essa alma e pedra e sonho
minério que assim em mim furta
réquiem de ânsia que acaso tomo
de cor fóssil, morta e liquida e bruta.

roubou-me essa pedra!lágrimas de anil
pedaços de mim sobre a meia-lua
vela-me sem flores, áspera noite vil
escorro pelos dedos e ... sou tua.

pedra Elisa ( pipoca) sabão nanquim
pequenas grandes coisas furtivas
sei de ti,  como sabes tu de mim

refazenda das tranças  calcário e mar
furta-cor , esculpem mãos emotivas...
sou essa pedra, aquela pedra a ti amar...



por José leite netto







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contraponto ao Swift









não me arriscaria a ser esmagado

pelo peso das palavras.

palavras suportam coisas,

o mundo, as roupas no corpo, o copo vazio,

(o próprio corpo)

 mulheres vazias, homens vazios

copulam com palavras no peso das coisas...



feias reais/irreais de sonhos,

belos fantasmas

escorrem côncavas no rio de gesso

para o céu

e apontam o infinito



como pesam as palavras no peso das coisas...




(por josé leite netto – 02/09/11 às 22:23)







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Retrato de uma embriaguês chamada poesia









poema
              janela velha
aberta
                 atemporal


desejo &
                singro verbos

poema reescrevo
                  ponte metálica
ao pôr-do-sol
                    ao vento
olhar negro
                  centrípeta
centrifuga(z)

vadia noite de Iracema.



(José Leite Netto)


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Eu e você






dois corsários nus

desejo atroz

albatroz de amor

navega sem fim

como voa Deserto a esmo de voar

via email

feito lento vento girassol

sobre o mar

amar é perder-me de mim.





José leite netto


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centauro de areia







No abraço do tempo
o metamórfico

centauro de areia cruza o mar



na messe dos teus olhos

há rumores de cão e gato



metade é meu mundo de som e silêncio,

não os de Ovídio. trôpego centauro

nada a temer

cidade vazia, labirinto secular

dedo na cara, asas de mosca

poeira, pó,

estrada.



José Leite Netto



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Poesia enche barriga
José leite netto


ontem a meia-noite comi
um prato de poesia
nos olhos a insônia
meu céu de palavras.


em páginas de metáforas
lá fora o apito do trem
Prelúdio de chegada
que já vem, que já vem
quem vem  lá
nos trilhos as entrelinhas,
locomotiva de palavras


são mínimas, são muitas
varo a noite, o galo canta.
ilumino-me. Amanhece.
apita a chaleira
- o café está na mesa menino,
larga esse livro! Tão doidinho
tão só.
cheiro de pão quente
pão de queijo
 Drummond.
alimento  poesia.







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Teu Absurdo








Entre pedra e sonho em teu caminho

Entre o mito perdido do teu carinho

Entre o uivo noturno do  ciúme

Me perdi em teu absurdo



Entre o cheiro de aroma e jasmim

como tarda o arco-íris em teu jardim

como canta e desafina o vagabundo

Me perdi em meu absurdo



e sumindo como some um barquinho

contra a correnteza em teu coração

navego rios de mim e sempre adeus



Me perdi em teu absurdo



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Ícaro
José leite netto (letra e música)



intro: C /G/A/D

A                     C                    G
cantou a noite o  amanhã é pássaro
A                   C                  G
sorveu o sorriso lúdico é criança
D                                   C
sonhou o sonho doido das borboletas
F                      C                 G
seguiu os passos bruxos pela dança


D
Dança


A                  C                      G
tocou tambor e maculelê na calçada
A                  C                   G
segredou Oxumarê ao som das alfaias
D                                          C
desenhou nuvens em cima dos telhados
Dm                        C                       G
dançou, dançou e rodou e deu risadas


Risadas
D


A                                   C                       G
brindou e brincou, o mundo bola de gude
A                             C                         D
voou e pairou pelo espaço feito vento
G                            F                            A / D
subiu e subiu ao sonho Ícaro feito asa


D
Azar


A                       C                 D
correu o mundo numa caravana
A                  C                       G
vaiou a cidade em plena praça
A                                       C     C /G/A
 e desapareceu nas ruas feito fumaça.


Solo; C/A/G / D









4 comentários:

Anônimo disse...

belo poemas caro amigo

Mona Elisa Carneiro disse...

era só uma flor
Só isso!

Araújo Júnior disse...

Caro poeta,
Belos versos dançantes, porém bailam não ao fragor de tempestades mas de linhas bem tracejadas por mãos de artífice que cumprimenta o Belo acariciando-o com o pensar.
Abraço!

Nara disse...

''larga esse livro! Tão doidinho''


rsrsrs! gostei desse poema!