autobiográfia



autobiografia*





no caminho certo das formigas sobre a pia
vou compondo meu universo de dezembro
enquanto meu irmão pede calma e assobia
uma canção que de tão triste já não lembro

minha mãe compõe caminhos e versos e fogo
e o meu céu fica por trás do ópio e da porta
através do inferno a vida fumaça de jogo
trinca de baralho ou lâmina que não corta

mas a festa está ao longe e se foi o carnaval
ânsia é só um abraço na minha filha de neve
na sala a casa é criança, gritos e festival

o ano passa e tudo mais a mais ficando leve
a rua um alpendre de desilusões e continuo
essa quase música que sem fim não concluo. 


(poema de "o livro da chuva)


josé leite netto

 Poeta em um mundo caduco e professor de literatura nas horas vagas. Publicou os seguintes livros: “O Relojoeiro” em 2000. Em 2004 “O Olho de Tebas”, onde inverte sua guerrilha descrevendo os sonhos, o tempo e a morte. Em 2005, publica um pequeno livro com 12 poemas descrevendo a guerra de Canudos, intitulado: “Vermelho Sol de Canudos”. Participou das Rodas de Poesia e dos Poemas Violados. Editou os Jornais literários: “Vila Morena” e o Irreverente “O Bode Ioiô”. Tem seus trabalhos literários espalhados em revistas e jornais (Revista do Escritor Brasileiro), e na seleta de poemas “Fauna e Flora nos Trópicos” e em Portugal (revista Palavra em Mutação). Recebeu Menção Honrosa no “VII Prêmio Ideal Clube de Literatura - Prêmio Antônio Girão Barroso” com o poema “Gnomos de Sândalo”, na categoria trabalho inédito. Com o poema “A puta” (uma reflexão sobre a prostituição na Praia de Iracema) foi selecionado no festival de curta-metragem de Ouro Preto com o Curta - P.Iracema. Com a Banda Renegados mistura o rock ao poema onde uni os elementos sonoros da poesia FALADA aos elementos rítmicos da música instrumental. As frases verbais intercalam-se com as frases da guitarra, interagindo com o poema e dando uma nova roupagem ao poema falado.Atualmente foi contemplado pela Secultfor no Edital de Incentivo à Literatura – 2007 com “o livro da chuva”.


2 comentários:

Anônimo disse...

Sua poesia é labiríntica, crua. Ao mesmo tempo incita leveza e clama amor. Te felicito pelo blog: o espaço dos poetas labirínticos!

luviana.nunes@yahoo.com.br disse...

Sua poesia é labiríntica, crua. Ao mesmo tempo incita leveza e clama amor. Te felicito pelo blog: o espaço dos poetas labirínticos!